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Como anunciar no ChatGPT

Os anúncios do ChatGPT chegam a Portugal a 24 de Agosto de 2026, com o resto do EEE e a Suíça. O que muda para quem vê, o que se pode comprar hoje e o que ainda não, e o que fazer esta semana para não chegar atrasado.


A 24 de Agosto de 2026 os anúncios do ChatGPT chegam a 31 mercados europeus, Portugal incluído. Este artigo foi escrito quatro dias antes, e distingue com cuidado duas coisas que vão ser confundidas em todo o lado: os anúncios passarem a aparecer aos utilizadores europeus, e os anunciantes europeus poderem comprá-los. Não é a mesma data.

Os factos, com data

FactoValor
Data de arranque na Europa24 de Agosto de 2026
Alcance31 mercados: o Espaço Económico Europeu e a Suíça
Onde aparecemPlanos Free e Go
Onde não aparecemPlus, Pro, Business, Enterprise e Education
FormatoPor baixo da resposta, separado visualmente e identificado como patrocinado
PersonalizaçãoNenhuma no arranque: só tema da conversa, localização geral e tipo de dispositivo
HistóricoPiloto nos EUA em Fevereiro de 2026, depois Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, México, Brasil, Japão e Coreia do Sul

Fontes: anúncio da OpenAI aos utilizadores europeus a 15 de Agosto de 2026, e cobertura de Digiday, Dataconomy e TechXplore, 19 de Agosto de 2026.

O que fazer esta semana

01 · Perceber que ver não é comprar

Fomos até ao fim do registo a 20 de Agosto de 2026, e vale a pena saber onde é que ele acaba. O formulário aceita tudo: país Portugal, moeda EUR, fuso de Lisboa, tipo de anunciante. Só no ecrã seguinte é que aparece a parede, com estas palavras: o gestor de anúncios ainda não está disponível no seu país. Ou seja, a partir de 24 de Agosto os utilizadores portugueses veem anúncios, e os anunciantes portugueses ainda não os podem comprar. Contar com inventário comprável nesse dia é a forma mais rápida de ficar mal com um cliente.

02 · Perceber que a conta é sempre do cliente

Uma agência não pode criar a conta de anunciante em nome de um cliente. O ecrã de registo diz isso com todas as letras: o cliente cria a sua própria conta e depois adiciona a equipa da agência. Na prática é o modelo que já se usa no Google e na Meta, e é melhor para quem contrata: a conta, o histórico e os dados ficam do lado de quem paga, e se a relação acabar não há nada para reclamar.

03 · Comprar já o inventário de IA que existe

Enquanto o ChatGPT não abre, há inventário de IA comprável em Portugal hoje, e quase ninguém sabe: os anúncios do Google entram nos AI Overviews e no AI Mode automaticamente a partir das campanhas Search, Shopping e Performance Max que já existem. Não há campanha separada nem opção para ativar, o que também quer dizer que não há forma de ficar de fora. Quem tem Google Ads a correr já está a anunciar dentro de respostas de IA, saiba disso ou não.

04 · Separar as duas colunas antes de o pago começar

Este é o passo que ninguém faz e que decide se os relatórios dos próximos meses valem alguma coisa. Meça agora, antes de haver pago, em que perguntas a marca aparece de forma conquistada. Sem essa linha de base, daqui a três meses não vai conseguir dizer se o anúncio acrescentou alcance ou se está a pagar por perguntas que já ganhava de graça.

05 · Decidir se o seu comprador está nos planos com anúncios

Os anúncios só aparecem nos planos Free e Go. Se vende a programadores, a equipas de engenharia ou a empresas com subscrição paga, boa parte do seu público está em planos sem anúncios, e o dinheiro rende mais na presença conquistada. Se vende ao consumidor ou a pequenas empresas, o público está do lado onde os anúncios vão aparecer. A resposta muda com o negócio e vale a pena pensá-la antes de haver orçamento em cima da mesa.

O erro que vai custar dinheiro

Vai aparecer muita gente a vender campanhas no ChatGPT na próxima semana. Antes de assinar, faça uma pergunta simples: mostre-me o acesso de compra para uma conta portuguesa. Se a resposta for vaga, o que está a comprar é uma lista de espera com margem.

O segundo erro é mais silencioso e mais caro: começar a pagar sem ter medido antes. Sem linha de base da presença conquistada, o relatório do trimestre seguinte vai mostrar visibilidade a subir e ninguém vai saber dizer que parte foi comprada. É por isso que medimos as duas colunas em separado, e é a única forma de a pergunta ter resposta.

Perguntas frequentes

Uma empresa portuguesa já pode comprar anúncios no ChatGPT?

Ainda não, e verificámo-lo em primeira mão a 20 de Agosto de 2026. O formulário de registo aceita país Portugal, moeda EUR e fuso de Lisboa, o que dá a impressão de estar aberto. No ecrã seguinte aparece a mensagem que fecha a questão: o gestor de anúncios ainda não está disponível no seu país, com um contacto de apoio para dúvidas. Portanto os utilizadores portugueses passam a ver anúncios a 24 de Agosto, e os anunciantes portugueses ainda não os podem comprar. Quem lhe prometer campanhas no ChatGPT esta semana ou não tentou, ou não vai cumprir.

Os anúncios aparecem a todos os utilizadores?

Não. Aparecem nos planos Free e Go. Os planos Plus, Pro, Business, Enterprise e Education ficam sem anúncios. Isto tem consequência direta no plano de meios: se o seu comprador é alguém que paga subscrição do ChatGPT, uma parte relevante do seu público não vai ver anúncio nenhum, e o investimento rende mais na presença conquistada.

Os anúncios são segmentados por dados pessoais?

No arranque não são personalizados. A OpenAI indicou que a seleção usa apenas o tema da conversa, a localização geral e o tipo de dispositivo. Na prática isso aproxima o formato de publicidade contextual clássica, mais do que da segmentação comportamental a que as equipas de meios estão habituadas, e muda a forma de construir a campanha.

Anunciar no ChatGPT substitui o trabalho de visibilidade orgânica?

Não substitui, por uma razão estrutural. Em metade dos motores que medimos, incluindo o Claude e o Perplexity, não existe espaço pago nenhum por decisão pública das próprias empresas. Aí o único caminho para a resposta é o conquistado. O anúncio compra alcance onde existe inventário e não compra nada onde ele não existe, e nenhum orçamento de meios substitui ser a marca que o modelo nomeia.

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